9 de nov. de 2012

Solidão


Em São Paulo a solidão leva 61% dos idosos a procurar ajuda psiquiátrica

Levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que 61% dos idosos atendidos têm quadros de transtorno de ansiedade e depressão. 

Os dados foram recolhidos no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Psiquiatria, unidade especializada da pasta na Vila Maria, zona norte, e mostrou que muitos deles sofrem com a solidão.

"A depressão e os transtornos de ansiedade exercem um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes nessa faixa etária, com consequências diretas na saúde, uma vez que estão associados a um maior número de doenças, como diabetes e hipertensão. 

Tratar esses problemas é cuidar da saúde", diz o diretor do AME, Gerardo Araújo.

A solidão, causada muitas vezes pela morte do cônjuge, de amigos e familiares, além do medo de morrer e das dificuldades financeiras após uma vida toda dedicada ao trabalho, tem levado esse grupo de pessoas ao psiquiatra.

O número idosos atendidos na unidade, somando-se as consultas médicas e as realizadas por psicólogos, terapeutas ocupacionais e profissionais de enfermagem, foi de 960 em agosto de 2012, número maior do que o observado no mesmo mês do ano passado (917) e quase oito vezes superior ao registrado em agosto de 2010 (124), mês em que a unidade foi inaugurada.

Além do atendimento médico, os idosos em tratamento no AME Psiquiatria também participam de atividades de terapia ocupacional, com diferentes grupos, entre eles o de contadores de histórias e de atividades manuais, tais como pintura em tela, pintura em objetos, fuxico e artes plásticas.

Para ajudar os cuidadores dos idosos -- que tem até quatro vezes mais chances de desenvolver quadros depressivos do que a população em geral--, o AME Psiquiatria desenvolve trabalho específico para eles, por meio de encontros semanais em grupo, quando se discute as principais dificuldades enfrentadas durante a rotina de cuidado dos idosos.

Fonte – Folha de São Paulo – Cotidiano  - 10/09/2012

22 de abr. de 2012

A minha alma tem pressa...


O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS
Mário de Andrade (1893-1945)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!


*****




8 de mar. de 2012

Depois dos 50...


A idade chega sem aviso.
Sim, já fiz cinquenta e não percebi.
De repente, um belo dia, você acorda e vê que o tempo passou.
Não dá para voltar a trás e nem ficar pensando no que deixou de fazer.
O importante, agora, é daqui para frente.
As coisas foram acontecendo e quando vi, já estava mudando tudo.
Dei uma olhada para todos os lados.
Fiz uma faxina geral, interna e externamente falando.
Abri portas e gavetas dos armários, e fui separando tudo.
Doei o que já não usava mais e o que não queria.
O tempo me ensinou a ter paciência, e que as coisas acontecem quando tem que acontecer.
Novos tempos e novos pensamentos... Sempre!




Mulher

"Quando olho para o meu passado, encontro uma mulher bem parecida comigo - por acaso, eu mesma - porém essa mulher sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções" (Martha Medeiros)